No fim do mundo

Um vento frio e forte, mexe-me na sua intensidade. Sinto tudo a escapar das mãos, mas agarro firme este telemóvel onde escrevo. Certamente se perde o glamour da escrita tradicional mas eis o destino do mundo moderno.
Neste nosso particular fim do mundo, por onde tantos outros já passaram, o mar confunde-se com o céu, apenas possível a distinção pelo tom esverdeado do mar e as espuma das suas ondas. Um vasto oceano, de semblante infinito, pelo menos para os nossos olhos; olhos esses, que avaros, tentam compreender. O sol brilha forte sobre as falésias, nesta ponta do mundo de onde nasce a inspiração.
Fico aqui, sentado, apenas por um momento, deixando fluir aquilo em que penso. Tantos barcos que por aqui passaram, tantos outros humanos que aqui se instalaram, desconhecendo eles que um continente existia do outro lado. O que para nós parece hoje óbvio, sempre foi mito. Recordo os limites das nossas sensações, em tempos antigos, eu próprio teria pensado. Sim! Este é o fim do mundo!