Pensamentos sobre o final

Bone chapel inspired room with little girl and piano
Imagem deste texto com Gemini Flash 2.5

Ele há de chegar para todos nós, gota a gota, palavra a palavra. Cada inspiração, cada nota do coração é apenas mais uma movimento do relógio que nos leva ao final. Todos o sabemos, mas nem todos o aceitamos ou estamos prontos para o receber.

Há muitos lugares e experiências que nos transportam inevitavelmente para uma zona de desconforto perto daqueles que por nós passaram. A “Capela dos Ossos” em Évora é um desses lugares. Quem não pensa na morte ao entrar, deve estar já morto por dentro… O sentimento é análogo ao de ouvir música composta por alguém que sabe que o seu fim está perto. Com uma data final no horizonte, a emoção humana vem à flor da pele e cria coisas incrivelmente belas e sensíveis.

Será que a morte pondera também o que pode fazer? Todos têm os seus medos e os seus problemas, mas este é aquele que todos temos e não precisamos de resolver. A vida resolve-se a si própria, para uns mais cedo e para outros mais tarde… Penso naqueles que já foram e naqueles que em breve irão partir…

Sinto uma falta de inspiração sobre este tópico e um nível de português macarrônico em que sinto que não me consigo exprimir. Talvez não seja tão grave visto que as palavras nunca conseguirão reflectir o verdadeiro pensamento que levo dentro. Ainda mais, o próprio pensamento é apenas uma aproximação do sentimento. “A dor sentida e a dor fingida” de Pessoa vem ao de cima.

O piano de Sakamoto leva-me ao arrepio, um som delicado mas com toda uma vida resumida numas notas perfeitamente separadas no espaço-tempo. E assim, não consigo não pensar onde tudo acaba. Não importa o que vem depois (provavelmente nada); apenas importa aquilo que vem agora. Nada mais é real, apenas este som e este teclado, esta emoção, este texto… E à medida que o tempo passa, e que o oxigénio que me dá vida me corrói por dentro, sinto que completei um bom ciclo de vida. O final estará à espera, algures no calendário.