Será que estamos a ouvir?

Sons à nossa volta, constantemente… Sons da rua, dos carros, de outros humanos e criaturas que nos rodeiam. O som de uma fruta a ser mastigada, o som do próprio silêncio… Pergunto-me quem de verdade estará a ouvir? Quem é que estará a prestar atenção? O pombo na distância, os dedos no teclado, a música de fundo. Ouvir, ou mais bem escutar, com toda a alma, com toda a intenção possível, sem preconceito, sem projecções. Escutando simplesmente a realidade tal como ela é, nua, sem filtros, sem cortinas.
Sou privilegiado por poder passar este pequeno momento, em que cada segundo é um mundo, um mundo para escutar. Simples, sem memória prévia. Pois cada momento é novo, e cada momento é renovado. O relógio é uma prisão fictícia da nossa mente, pelo menos neste instante. Todos seremos terra de novo um dia, mas até lá, a liberdade interna ninguém nos pode tirar. Sempre e quando não a tiremos nós próprios. Escutar, atentamente. Eis umas das regras que nos podem guiar na vida. E assim, todo o Mundo parece estar interligado e a realidade vem ao de cima. A Verdade apenas existe nesse momento.